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Julho 15, 2008

Gosto das coisas simples. Acho que gosto de coisas simples porque o que eu quero mesmo é me mostrar simples sendo que na verdade não sou, mas queria ser. Talvez fosse mais fácil.

Bom, acho que vou tentar fazer uma breve descrição do fim de semana. Sábado fomos, claro que chegamos tarde e eu já tive desapontamentos logo de primeira. Pessoas viajando, não podendo, eis que comecei a pensar no fiasco geral que seria aquela noite e então, nas reclamações que teria que ouvir por toda aquela inutilidade impensada.

(nota: não consigo pensar com música)

Resumindo mais: acabei indo ver o Led cover com um dos meus mais antigos companheiros de peripércias e galinhagens da minha história adolescente. Claro que estava uma porcaria, nem sequer rostos comuns para afagar todo o impropósito de sair de casa e dizer “pelo menos revi pessoas”. Uma furada. Depois de uma cerveja e ligações INESPERADAS (aumente isso em dez vezes) fugimos para o único lugar que eu não tinha planejado ir.

Obviamente, Doc quis debochar do meu pretensiosismo de um modo mais sutil e irônico, um tanto divertido, podemos dizer. Foi bom, revi pessoas queridas e fiz as pazes com o mundo.

O fato é que: o bom de aprontar é fazê-lo e olhar pra todo mundo que sabe que você aprontou fingindo que não fez nada mas louca pra que todos saibam que você é porra-louca.

Eu? Eu não fiquei tão mal assim, mas fiz coisas inéditas (sim meu povo, inéditas) e que hoje em dia nem me parecem tão absurdas (claro que acabei gostando). E foi ótimo. Tudo bem que é podre, Mc Karma ainda pode se vingar dessa minha atitude rebelde mas, eu precisava me libertar um pouco daquela Camila mesquinha com a qual eu estava vivendo. Não quero mais achar que ser medrosa ou pensar bem antes de fazer as coisas sejam qualidades notáveis mesmo porquê, não fazem parte da minha personalidade.

Terminei a balada dançando em círculos com mais um monte de doidos numa garagem ouvindo The Who (e olha que eu nem gosto tanto do Tommy)

(nota: a trilha sonora foi excepcional. De Joy Division a Ladytron, amei. Claro que o DM foi o que ficou na minha cabeça graças ao super e potente pendrive mágico do Gabriel)

Cheguei achando que eu estava super em cima com meu estado físico e mental. E estava, até eu ir tomar banho.

Eu deitei na banheira e comecei a olhar as três torneiras que controlavam a temperatura e o fluxo da água: uma vermelha, uma preta e uma azul. Enquanto a banheira enchia, minha mente armava uma fila incrível de pensamentos bizarros que iam pulando na minha frente como se mergulhassem junto comigo. Eu tava me sentindo num filme e claro que por isso, tava me sentindo babaca achando que tava aumentando todos os sentimentos minúsculos que circulavam pelas minhas veias.

Foi aí que eu pensei que deveria acordar. Mergulhei o rosto na água e ali fiquei por um tempo que eu nem sei dizer ao certo. Nesse instante eu percebi que todo aquele teatro (ou não) que minha mente tava fazendo comigo poderia sortir um propósito relevante ou, ao menos, positivo para o meu futuro próximo. Quando eu resolvi que, pra não pirar mais ou, pra pirar menos, eu fixei minha visão nos meus cabelos mergulhados movendo-se livremente de acordo com o fluxo da água (sim, a banheira estava enchendo. não, eu não tava tão louca).

Pensei em mim. Pensei no que eu tava fazendo com a minha vida achando que eu, como pessoa, era muito superior às coisas simples da vida e que, assim, não poderia tirar proveito de nenhum feito ou acontecimento ou visão ou seiláoque mínimo como aprendizado, lição ou ao menos uma reflexão sobre tudo o que eu faço, deixo de fazer ou influencio.

Pensei no que eu tava desperdiçando. Pensei porque eu tava me prendendo. Eu me vi distante, mergulhada no medo e na insegurança que, nunca foram próximos a mim, mas que agora me dominavam junto com a culpa e a imagem de um monstro selada ao meu peito como um crachá, uma identificação que eu achei correta, mesmo sendo julgamento dos outros, e que então, passou a fazer parte da minha vida como um referencial de ações “politicamente corretas” do: vamos corrigir meus erros do jeito ‘certo’.

Esse jeito certo estava esmagando todo a minha potencialidade e personalidade que, de grande forma, marcam toda minha existência e claro, o caminho que eu devo seguir.

Pensei, tentei achar o porquê de eu estar com medo de fazer algo tão natural: ser livre. A pior bosta que eu fiz, com certeza, foi colocar a opinião alheia na frente da minha, encobrindo-a. A teimosia da medrosa em fazer as coisas do jeito que seria o certo de fazê-las tava me deixando tão paranoica em fazer o correto correto correto que acabei me deixando ser uma escrava do que, pra mim, sempre foi incorreto. Eu não tava ouvindo ninguém, nem mesmo o meu coração. Só tava ouvindo a minha teimosia de resgatar todos os meus erros e transformá-los em grandes acertos porque essa era a minha dívida. Eu esqueci de pensar no quanto isso poderia me frustrar (já estava me frustrando). Eu não tenho que corrigir nada e melhor, não me arrependo.

Acho que tudo que já foi feito acabou sendo valido de certa forma. Eu não tô fazendo apologias aos erros, a putaria, cusãozice e etc, mas acho que devemos ouvir a nossa voz mais interna e distante.

Eu tava tentando lutar contra. Eu tava em dúvida sobre o que o meu coração dizia porque eu não queria lhe dar ouvidos, pois sabia que estava errada. Que estava indo contra. E que não fazia bem pra mim.

Camila, você precisa de você. A minha vida tem tudo pra seguir do jeito mais simples, eu só preciso tomar coragem pra assumir que o jeito que deve ser seguido NÃO É o que eu achava o certo (e ficava pensando porque só dava errado, puts).

Mas agora eu vou tentar (conseguir) ser livre e deixar as coisas fluírem, que tal? “We’re all in a state of flux”

Depois da minha grande visão (e espanto, por conseqüência) na banheira a la Psicose, tomei meu rumo e fui dormir. Obviamente tentei esconder ao máximo todo a causa do devaneio.

Espirrei muito à noite. Dormi tarde e acordei mil vezes. Pela manhã, depois do café, comecei a fazer coisas idiotas (como sempre) com o sol das 10h batendo no meu rosto e pus-me a pular na cama pensando que tava voando. Foi uma das melhores coisas que eu já fiz na vida. Acho que Doc deu as caras pra mim.

Prosseguindo o domingo, tive que ir à um almoço de família onde todos já são habituados a me criticar e dizer o que eu devo ou não fazer sendo que eu entendo muito bem das coisas e não tenho mais 10 anos de idade. Vi o filme inacabável do The Doors (e é aí que você passa a odiar o Jim Morrison. Eu sinceramente não sei o porquê deles fazerem isso com a imagem do cara..) e algumas conversas inúteis.

Hoje eu tô mais ponderada num dia introspectivo-caseiro (pra variar um pouco essa porra de férias né?) e tô servindo de conselheira, gratuitamente.

Eu tô tomando coragem pra encarar as atitudes que devo ter pro meu bem, não pra melhorar minha imagem. Eu não preciso bancar a amiga de ninguém nem rastejar para que minha imagem seja a melhor possível perante essas pessoas. Não tem mais porquê. Simplesmente não faz sentido. Eu tenho que ser livre e acabou. Eu não sou esse monstro que me fizeram pensar que eu sou, sou humana, Camila, áries, acabou. Fim. Vou seguir meu destino que me faz bem e é saudável pra todos que me cercam (não que eu pense muito nisso).

(nota: esqueci a nota. me chamaram aqui no msn.. lembrei! Mc Karma pulará de alegria e assim terá menos serviços de me dar tapas no rosto. Espero que eu tenha acordado após isso tudo.)

(nota 2: quero mais. merda.)

Quero que esse post termine aqui. Se eu tiver mais o que escrever posto outro.

Music: Wings - Tomorrow

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